Histórico familiar de doenças cardíacas pode indicar risco para crianças e adolescentes

7 de agosto de 2026 às 10:23

Infarto precoce, morte súbita e colesterol alto de origem genética na família são sinais que podem justificar avaliação cardiológica mesmo na ausência de sintomas

Goiânia, 07 de agosto de 2026 – Quando Patrícia de Oliveira, de 31 anos, descobriu que a filha Anna Cecília, então com 6 anos, tinha uma cardiopatia congênita, o diagnóstico trouxe à tona um histórico que já preocupava a família. A mãe de Patrícia também enfrentava problemas cardíacos e descobriu a doença após sofrer um AVC, falecendo pouco tempo depois em decorrência de complicações. Desde então, a família passou a intensificar os cuidados com a saúde da criança.

Casos como esse mostram por que conhecer o histórico familiar é uma ferramenta importante para proteger a saúde cardiovascular de crianças e adolescentes. Infarto precoce, morte súbita, arritmias, cardiopatias congênitas, AVC e colesterol alto de origem genética entre familiares podem indicar maior risco e justificar uma avaliação cardiológica, mesmo quando a criança ou o adolescente não apresenta sintomas.

Foi o que aconteceu com Rhayanna Bernardes, de 33 anos. Ela convive com um forte histórico de doenças cardíacas na família. Ao todo, dez parentes, entre avós, primos e sobrinhos, têm problemas relacionados ao coração. A própria mãe descobriu uma alteração cardíaca quando Rhayanna tinha apenas dois meses de vida. Atualmente, ela faz avaliação profissional contínua e convive com algumas limitações. “Foi um susto para minha mãe descobrir um problema cardíaco meu com apenas dois meses de vida. Hoje vivo com restrições e faço acompanhamento médico. Já tive até dificuldade para conseguir emprego por conta dessas limitações”, relata.

Segundo diretrizes do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI), o histórico familiar de doença cardiovascular precoce é um dos principais fatores de risco cardiovascular na infância e adolescência. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também alerta que o colesterol alto de origem familiar pode se manifestar ainda na infância e aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares quando não é identificado e tratado.

A cardiopediatra Mirna de Sousa, membro da Sociedade Goiana de Pediatria, explica que essas informações devem sempre ser compartilhadas com o pediatra, que poderá indicar uma avaliação especializada quando necessário.

“Casos de infarto precoce, morte súbita, cardiopatias congênitas, arritmias e colesterol elevado de origem genética na família merecem atenção. Mesmo que a criança esteja aparentemente saudável, pode ser necessária uma investigação cardiológica para identificar alterações precocemente”, afirma.

Sinais de alerta

Além do histórico familiar, alguns sintomas também merecem atenção, como desmaios sem causa aparente, dor no peito durante atividades físicas, palpitações, falta de ar desproporcional ao esforço, cansaço excessivo e dificuldade para acompanhar outras crianças em brincadeiras ou exercícios.

“Esses sinais não significam necessariamente uma doença cardíaca, mas devem ser avaliados, principalmente quando surgem durante ou após atividades físicas”, orienta Mirna.

Quando há suspeita de alteração cardíaca, o especialista pode solicitar exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter e exames laboratoriais para avaliar, por exemplo, os níveis de colesterol.

Embora a predisposição genética não possa ser modificada, identificar precocemente crianças com maior risco permite iniciar o acompanhamento médico e adotar medidas preventivas antes do surgimento de complicações.

“Quanto mais cedo detectamos os fatores de risco, maiores são as chances de prevenir problemas cardiovasculares no futuro. O acompanhamento médico, aliado a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e sono de qualidade, reduz significativamente esses riscos”, destaca Mirna.

Legenda para foto: O histórico familiar é um dos principais critérios para identificar jovens com maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares (Imagem: Pexels)


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